Tal como os demais grandes problemas nacionais - onde com certeza a questão prevencionista está inserida - a questão da segurança e saúde no trabalho encontra-se neste momento em uma das encruzilhadas do processo histórico. Há necessidade de buscarmos novas formas de atuação, as quais apenas serão validas se houver uma ampla e consciente discussão sobre o tema com a participação ativa de todos aqueles que de fato conhecem o assunto. Mais do que isso, para que este momento conduza a um futuro melhor é preciso rever muito mais do que técnicas e normas as questões culturas relativas ao assunto.
Por toda parte vemos o ressurgimento de velhos debates revestidos com a roupa do novo. Lamentavelmente notamos que a grande maioria deles passam distantes da verdadeira realidade e prestam-se na maioria das vezes apenas reformulação do modelo vigente com tendências a flexibilização das responsabilidades. Há como sempre houve o desconhecimento do obvio: Apenas leis não bastam ! Culturalmente vivemos no país onde leis prestam-se apenas a poucas situações e que as relações - na sua forma sólida e respeitosa - precisam ser construídas passo a passo. Em todo o processo e ao longo dos anos a presença do SESMT foi de grande valia para este enfoque, trazendo para o debate entre as partes a luz do conhecimento técnico - que nestes casos - é essencial a consecução dos objetivos - e de certa forma faz frente aos descalabros com que se trata assunto de tamanha importância.
O primeiro passo para que esta discussão e busca tenham alguma validade passa pela coragem de questionar quais são as reais causas do problema. Obviamente para que encontremos algumas respostas válidas e que possa assim ser base para planos de correção realistas é preciso que ocorra rápida e grande evolução nos conceitos que muitos ainda adotam e difundem. Enquanto nos mantivermos presos aos paradigmas com certeza nada irá ocorrer de novo e capaz de alterar a realidade que conhecemos. Enquanto permitirmos que os temas sejam tratados mais com o enfoque político do que técnico, com certeza estaremos perpetuando o estado de coisas tão bem conhecido. Na minha forma de ver, o primeiro passo a ser dado para modificar estado de coisas e a mudança de postura dos profissionais do SESMT, que necessitam urgentemente deixar de ser o especialista apenas dentro dos locais de trabalho e assumir de vez por todas seu papel como interlocutor do assunto, como especialista e conhecedor, trazendo a tona subsídios para uma tratativa mais realística dos temas. Ao longo dos anos, temos sido omissos nesta forma de atuação, em certos momentos parece que não há no pais um segmento tão grande com capacidade e conhecimento para fazer chegar a comunidade em geral seus preceitos e conhecimentos que com certeza são por demais úteis a vida de cada um. Reside ai um grande erro. Talvez pela nossa omissão, outros se sintam no direito de dizerem - e na forma equivocada - qual o molde adequado para a questão prevencionista. Não se trata aqui - e todos sabem como sou contrario ao corporativismo doentio - de gerar e defender nichos de trabalho, antes, trata-se de assumir dentro do contexto social um espaço de suma importância e muito mais do que isso, uma espaço necessário a ordem das relações gerais. Nós somos os especialistas no assunto e como tal devemos nos fazer representar. Ao contrário disso, ocorre talvez por nem mesmo entendermos a dimensão daquilo que fazemos e podemos fazer, o verdadeiro horror e descaso que passa por detrás da questão dos acidentes, ocorram eles em qualquer lugar que seja.
A partir da ocupação do espaço dentro da sociedade, cabe-nos também a busca - como especialistas e cidadãos - no debate político da regulamentação das coisas de nossa área. Ao longo dos anos, insistimos - talvez ate pelo volume de necessidades e urgência das ações - em pautarmos nossos trabalhos limitados aos nossos segmentos. Conheço inúmeros bons profissionais que trazem em si a qualidade de experiências e conhecimentos que seriam por demais úteis se fossem formalizados como referencias comuns. No entanto, pecam quando se ausentam da macro discussão, deixando este fórum aberto para outros que nem sempre trazem em si conhecimentos e vivência necessárias ao desenvolvimento de referencias ao menos aplicáveis a realidade brasileira. Portanto, ou começamos a adotar posturas de cidadania com relação ao que fazemos, ou de vez por todas, abandonamos a prática das reclamações.
Como se pode ver, apenas neste primeiro momento encontramos dois problemas relativos a cultura que o próprio SESMT tem em relação ao assunto. Por mais distantes que pareçam, são problemas como estes que inibem o crescimento da causa prevencionista. Já passou longe a hora é a vez de assumirmos nosso lugar dentro da sociedade como um todo.
COLECIONANDO EQUIVOCOS
Para muitos de nossos colegas de área, atuar na Área de Prevenção de Acidentes é pura e simplesmente aplicar as técnicas e normas ao local de trabalho. Tais pessoas não conseguem ainda visualizar a riqueza de uma área técnica e suas possibilidades. Muitas delas orgulham-se de viver em eterno conflito com as demais áreas e talvez por isso sintam-se verdadeiros xerifes para a causa, como se tivessem a capacidade ou mesmo a atribuição de serem os donos do tema. Trabalham no varejo e passam a vida toda resmungando e atribuindo a terceiros o insucesso de nossas atividades.
É preciso que entendam qual é na verdade o real papel de uma especialista. Talvez a partir deste momento de compreensão, passem nos primeiros dias por uma verdadeira crise de identidade, sentindo-se talvez ainda menos importantes. No entanto, se estiverem atentos, com o passar do tempo poderão vislumbrar que também para nós há um lugar ao sol. Deve ficar claro, que mesmo a NR 4 - na sua definição de quadro para o SESMT, demonstra que o número definido de profissionais - em muitos casos na proporção de 1 Técnico para 500 empregados, inviabiliza este tipo de atuação. Portanto, devemos buscar formas de atuação mais sistematizadas ou em português mais claro, mais inteligente.
O rol de equívocos é muito grande. Há também aqueles que sentem-se os arautos da lei, parecendo mesmo esquecer que as demais pessoas são alfabetizadas e que sua utilidade está assegurada não por saber ler ou informar, mas por saber transformar itens de lei em práticas de gerenciamento, ao invés de mero arauto, cabe melhor ser interprete, profissional capaz de transferir as letras da lei em situações e fatos aplicáveis, traduzir necessidades em propostas, ser para o Executivo um verdadeiro Assessor e não um lastimável fiscal. Ter condições de sentar numa mesa de decisões e contribuir ali como o homem da prevenção, de igual para igual com os demais especialistas.
Ao longo dos anos, a imagem do Técnico de Segurança tornou-se tão distante do que ele deve e pode ser, que de fato sua utilidade - nestes moldes - passa a ser questionável. Pagar alguém para tomar conta se os outros usam ou não EPI - já paga-se aos Supervisores. Pagar alguém para ficar distribuindo copias de leis e normas - muitas empresas já assinam bons informativos. O diferencial certamente está em alguém capaz de resolver problemas ou propor meios e estratégias para tanto. Se você está for a deste foco, tenha certeza que contribui muito para que a prevenção de acidentes não saia do lugar onde se encontra. Se quiser entender melhor o assunto, por algum instante que seja, coloque-se no lugar de quem paga seu salário.
A CULTURA DO NÃO
Eis aqui um ponto que muito me preocupa. Depois de todos estes anos atuando na área, passei a chamar de Cultura do Não a postura que a grande maioria de empresas e seus chefes tem com relação a questão de segurança e saúde. Parece algo impalpável, mas na verdade tenho certeza que a grande maioria de nós já presenciou ou ao menos ouviu falar sobre fatos desta natureza. A cultura do não manifesta-se e é comprovavel até mesmo nas ações oficiais. Basta prestar atenção.
Recentemente, lendo um belíssimo livro que um Sindicato aqui da Grande São Paulo organizou e vem publicando nos últimos anos, chamou-me a atenção quando em dado capitulo apresentam uma serie de relatos sobre acidentes ocorridos. Como Técnico, encontrei nestes acidentes uma série de informações interessantes, no entanto o que mais chamou a atenção e que em quase todos os casos descritos - todos tendo incapacidade permanentes ou mesmo morte como conseqüência - a correção da causa se deu logo em seguida ao ocorrido, seja através da instalação de um pequeno pedaço de chapa, de uma grade, enfim de coisas absurdamente simples e com custo irrisório. Isso quer dizer, que se houvesse de fato algum tipo de preocupação com as normas ou mesmo com a vida, tais acidentes e suas conseqüências seriam plenamente evitáveis, sem que para que isso houvesse necessidade de qualquer recurso maior. Porque isso não ocorre : Pela cultura do não, pela forma absurda de não querer fazer pura e simplesmente.
Observem com mais detalhes e verão isso em muitos locais de trabalho. Notarão que ao longo dos anos, sabe-se lá porque, muitas pessoas desenvolveram um alto grau de rejeição com a questão da prevenção. Superficialmente talvez isso diga respeito a sensação de poder - ou seja - eu mando ! e Se não fui eu quem mandou fazer, ninguém vai fazer porque não quero. Ou numa forma variável - Na minha área mando eu ! Pode parecer estranho, mas isso existe e a quantidade não é pequena.
Para dar vida a este tipo de cultura, simultaneamente vemos dia após dia a impunidade. Vivemos ainda encobertos pela mística do termo acidente - do qual muitos se servem para encobrir verdadeiros homicídios. Precisamos educar nossas autoridades - e também sobre isso que falamos lá no inicio deste texto - fazer ver que acidente é algo imprevisível, que surge de uma conjuntura de fatos e ações que não foi possível precisar e ao mesmo tempo, que deixar uma engrenagem sem proteção nada tem haver com acidente, tudo tem haver com omissão seja em relação as leis - claras para este tema - seja em relação ao respeito a vida - assunto ainda meio obscuro em nossos dias.
Em certo ponto do processo das relações sociais, a questão da segurança e saúde se confunde com todas as demais questões que dizem respeito a preservação da vida humana. Enquanto existir possibilidade de justificar o injustificável - mesmo que diante da mais evidente prática da cultura do não - caminharemos assim, vendo que o trabalho matar, não naquilo que tem de sofisticado e por isso merece mais estudos e interpretações - mas nos rudimentos do conhecido, nos rudimentos do normalizado que jamais se cumpre pela certeza de que ocorra o que ocorrer - a impunidade falará mais alto.
E diante desta cultura que devemos fazer frente. São estes os fatos que nos levam a crer que apenas a atuação rotineira da prevenção jamais será capaz de mudar a situação atual. Precisamos interpretar todo o contexto histórico do assunto e se desejamos mudanças verdadeiras, atuar em todas as frentes - seja como profissional seja como cidadão - ou na condição ideal de profissional-cidadão.
Acima de tudo, precisamos romper com nossa participação dentro da cultura do não, deixando de dizer não a prevenção como todo e enfiando a cara no buraco como avestruz que acha fazer o bastante mas limita-se apenas a fazer o mínimo, olhando e tendo consciência de que quando um trabalhador morre, morre também ali um cidadão.
Enfim, ou despertamos para o todo do assunto, ou continuamos apenas sendo os arautos das leis que outros fazem e os fiscais daqueles que poucos cumprem.
Cosmo Palasio de Moraes Jr.
24/06/00 15:02:39
fonte: areaseg.com.br - visitem, é muito bom esse site
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
A CULTURA DO NÃO
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
"Os burros são raros"
"Os burros são raros"
Entrevista: Howard Gardner
O psicólogo americano diz que a maioria das pessoas é inteligente para algumas áreas do conhecimento e que o teste de QI não expressa esse fato Monica Weinberg Divulgação
"Com esforço, a inteligência humana pode ser aprimorada apenas até um certo ponto. A genialidade é para poucos"
O psicólogo americano Howard Gardner deu um passo adiante na compreensão da inteligência humana ao concluir, com base em duas décadas de estudos, que a mente é composta de múltiplas capacidades independentes entre si. Ele descreveu cientificamente oito tipos de inteligência: a ingüística e a lógica (medidas em testes de QI), além da espacial, musical, corporal, naturalista (a habilidade de compreender os fenômenos naturais), intrapessoal (a de reconhecer os próprios defeitos e qualidades -- e tomar decisões com base neles) e interpessoal (a de interpretar as intenções alheias e exercer a liderança). A teoria de Gardner, que na década de 90
passou a influenciar acadêmicos e educadores, teve o mérito de subverter a visão de que a humanidade se divide basicamente entre seres iluminados e aqueles desprovidos de inteligência. Diz o psicólogo: "Há infinitas nuances. Pablo Picasso foi um gênio da pintura, mas era péssimo aluno".
Aos 64 anos, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e autor de vinte livros sobre o assunto, Gardner tem viajado o mundo para proferir palestras nas quais fala sobre genialidade, liderança e sala de aula.
Ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Veja ? Há pessoas menos inteligentes do que outras?
Gardner ? Cada um tem uma mistura singular dos vários tipos de
inteligência, o que torna a questão bem mais complexa do que dividir a
humanidade entre burros e inteligentes. A observação científica mostra que
o mundo está cheio de gente que se destaca no pensamento lógico, mas não
tem inteligência suficiente para expressar uma idéia com começo, meio e
fim. Ou de pessoas que são brilhantes ao filosofar sobre as grandes
questões do mundo moderno e não têm nenhum traquejo para executar
exercícios físicos de jardim-de-infâ ncia. Conclusão: a maioria das
pessoas
é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas áreas do conhecimento e
limitada para outras. Estou me referindo à média. Bem mais raros são os
casos de gente desprovida de qualquer inteligência. Mas eles existem.
Veja ? Até que ponto é possível desenvolver a inteligência?
Gardner ? Essa é uma questão que vem intrigando os especialistas há
séculos. Nas sociedades asiáticas influenciadas pelo confucionismo, vigora
a idéia de que as pessoas diferem pouco no intelecto. Mais importante para
seu sucesso é o esforço despendido por cada um. No Ocidente, por sua vez,
circula a visão de que a inteligência é inata e de que quase nada se pode
fazer para mudá-la. O fato é que a ciência já reuniu evidências
suficientes
para concluir que a inteligência é resultado dos dois fatores: a genética
e
a experiência de cada um. Ainda não se sabe qual deles tem mais peso.
Algumas habilidades, como o raciocínio lógico e o talento para a música,
sofrem maior influência da genética. Mas, no geral, tudo indica que os
genes e o ambiente contribuam em igual proporção na formação da
inteligência humana. Certamente não estão determinadas no berçário todas
as
capacidades intelectuais das pessoas, o que quer dizer, sim, que é
possível
esculpir a inteligência ? ainda que haja limitações para isso.
Veja ? Quais são os limites mais evidentes para o desenvolvimento da
inteligência?
Gardner ? A primeira barreira é imposta pela própria biologia: o tempo de
vida de um indivíduo, em média de 70 anos, é curto para certos desafios
intelectuais. O segundo ponto é que, quanto mais velha uma pessoa, mais
dificuldade ela tem para mudar seu perfil de inteligência. Está
demonstrado
por meio de extensas pesquisas que a fase em que a experiência causa mais
impacto ao cérebro é até os 20, 25 anos de vida. As pessoas podem até
ficar
mais sábias depois disso, mas não mais inteligentes. A única exceção a
essa
lógica é quanto às inteligências pessoais, aquelas que definem as
capacidades de autoconhecimento e de lidar com seus semelhantes. Há
evidências de que apenas estas se aperfeiçoam ao longo da vida. Um
terceiro
problema é que as chances de alguém sair das trevas numa determinada área
de conhecimento também dependem de sua condição socioeconômica.
Veja ? Como a classe social influencia na construção da inteligência?
Gardner ? Está claro que um menino pobre do Brasil tem menos probabilidade
de desenvolver suas múltiplas inteligências do que uma criança rica dos
Estados Unidos. O jogo é desigual por uma razão simples: onde existem
carências de recursos, há falta de estímulos. Feitas essas ponderações,
não
restam dúvidas de que, à custa de esforço, é possível alcançar bons
resultados no aprimoramento da inteligência. Mas, na discussão sobre esse
tema, há ainda outro aspecto que considero bastante interessante: o da
genialidade. Os estudos indicam que é impossível tornar-se genial numa
área
para a qual não se tem talento natural.
Veja ? Por quê?
Gardner ? Está suficientemente demonstrado que são vários os fatores que
atuam ao mesmo tempo para produzir tais talentos excepcionais ? e não
apenas um. Ao estudar trinta grandes gênios de áreas distintas, descobri
uma característica em comum entre eles: são pessoas que exibem um conjunto
de pelo menos dois tipos de inteligência em que sobressaem. Numa delas,
têm
desempenho extraordinário. Albert Einstein (físico alemão, 1879-1955), por
exemplo, mostrava um fantástico raciocínio lógico-matemático e se
destacava
nas capacidades espaciais. Além de um talento especial para a música, Igor
Stravinsky (compositor russo, 1882-1971) demonstrava outras inteligências
artísticas, o que provavelmente explica sua carreira eclética: foi um
grande compositor de balés, era capaz de musicar textos e tornou-se um dos
comentaristas mais incisivos de sua época. Gosto também de citar o
futebol.
Se você nasce sem grande potencial nas áreas do pensamento espacial e do
raciocínio lógico, pode treinar 365 dias por ano, ao longo de uma década,
para, enfim, se tornar um bom jogador de futebol. Mas jamais será um Pelé.
Veja ? Entre os oito tipos de inteligência que o senhor descreve, há um
que
seja mais determinante para o sucesso nas sociedades modernas?
Gardner ? Certamente a inteligência mais valorizada hoje é a que defino
como lógico-matemática. Digo isso com base num fato concreto: a maioria
das
grandes empresas procura, no mundo inteiro, gente capaz de observar
padrões, manipular números e produzir análises objetivas. São pessoas com
uma cabeça mais científica. Não estamos falando aqui apenas de matemáticos
e engenheiros, mas de um jeito de atuar em diversas profissões. O
pensamento lógico representa para a sociedade moderna o que significava a
habilidade lingüística quinhentos anos atrás. Naquele tempo, as
explicações
mais convincentes para os fenômenos se propagavam por meio de relatos ?
contados ou escritos. Saber empregar um idioma com desenvoltura era, por
essa razão, um bem incomparável. Com o advento da ciência, o raciocínio
lógico passou a ser cultuado. Mas é bom que se ressalte: esse tipo de
inteligência, isolada, dificilmente fará alguém alçar vôos mais ambiciosos
? a não ser que o objetivo seja seguir carreira como matemático ou
analista
de sistemas.
Veja ? Existe, então, uma combinação de habilidades mais admirada no
mercado de trabalho?
Gardner ? A união do pensamento lógico à capacidade de lidar com as
pessoas
tem resultado em carreiras de sucesso nas grandes empresas. O que não dá é
para interpretar esse tipo de constatação como uma espécie de fórmula para
o êxito. Em minhas palestras, faço questão de enfatizar dois pontos
aparentemente óbvios. Primeiro, afirmo que mesmo os profissionais mais
brilhantes precisam ter como motor a ambição para crescer. Cheguei a uma
conclusão intrigante sobre muitos deles: apesar do talento fora do comum,
são pessoas que tendem a ficar acomodadas em suas áreas de interesse.
Acabam se tornando superespecialistas, mas, ironicamente, não costumam
deixar nenhuma marca no mundo das idéias. O segundo ponto é que às vezes
os
melhores não dão certo quando chegam ao topo de uma organização, porque a
eles, também, falta alguma espécie de inteligência fundamental para
exercer
o cargo de liderança.
Veja ? Qual a lacuna mais comum entre os vários tipos de chefe?
Gardner ? A muitos deles falta uma capacidade essencial à liderança ? a
inteligência para detectar suas forças e fraquezas. Isso não ocorre com os
líderes mais eficientes, que têm um cérebro moldado para entender o que
considero básico: como qualquer outra pessoa, não sabem tudo, estão
sujeitos a errar e, por essa razão, se cercam de gente melhor do que eles
em áreas nas quais se saem pior. Os líderes menos eficazes, por sua vez,
pecam pelo excesso de orgulho e pela cegueira sobre suas reais
capacidades.
O presidente americano George W. Bush é o melhor exemplo de ausência desse
tipo de inteligência ? a que me refiro como inteligência pessoal ? e por
isso é incapaz de produzir uma auto-avaliação mais realista. Bush também
esbarra numa outra deficiência comum entre pessoas que ocupam função de
liderança: a de não pensar nas grandes questões existenciais, mas ater-se
somente aos problemas mais imediatos do dia-a-dia.
Veja ? Essa é uma limitação e tanto.
Gardner ? Sem dúvida. Sabe-se que, desde o tempo das cavernas, os homens
apresentavam um cérebro capaz de imaginar o infinito e de considerar
questões cosmológicas, muito além da preocupação com a própria
sobrevivência. Vários dos líderes modernos, no entanto, não exibem essa
capacidade. Eles têm dificuldade de pensar num espectro mais amplo. Está
claro que as pessoas mais eficazes em cargos de comando são aquelas que
conseguem despertar nos outros a sensação de que fazem parte de um projeto
maior. É uma característica que separa os líderes que ficarão na história
dos que logo serão descartados da memória coletiva. Dois bons exemplos são
o indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) e Nelson Mandela (ex-presidente
sul-africano) . Adolf Hitler (1889-1945) e Mao Tsé-tung (1893-1976), ambos
ditadores, respectivamente, na Alemanha e na China, alcançaram o mesmo
efeito em suas platéias ? sem ter feito, claro, o uso positivo de suas
capacidades intelectuais.
Veja ? A inteligência tem alguma relação com a moral?
Gardner ? Definitivamente, não. As inteligências são moralmente neutras.
Tome-se como exemplo a comparação entre Joseph Goebbels (1897-1945), o
ministro da Propaganda de Hitler, e o poeta Goethe (1749-1832), ambos
mestres no emprego da língua materna: o alemão. Em poder do mesmo tipo de
inteligência, Goebbels disseminou o ódio e Goethe criou obras de arte. O
estudo que fiz sobre os trinta personagens com atuação acima do comum em
suas respectivas áreas, ao longo da história, ajuda a enfatizar a idéia da
inteligência amoral. Tirando Gandhi, nenhuma das figuras por mim
pesquisadas teve uma vida pessoal digna de ser classificada como exemplar.
Pablo Picasso (pintor espanhol, 1881-1973), T.S. Eliot (poeta inglês,
1888-1965) e até Einstein, para citar alguns, lamentavelmente demonstraram
insensibilidade moral em muitos aspectos da vida. Com base nesses
argumentos, repito o que pode parecer óbvio: o principal desafio da
humanidade não é apenas produzir um exército de pessoas com suas múltiplas
inteligências afiadas ? o maior avanço será vê-las usadas de forma mais
ética.
Veja ? O senhor acha que é viável contemplar as diferentes inteligências
nas escolas?
Gardner ? Concordo com meus adversários no campo acadêmico: é difícil
transpor toda essa teoria à realidade das salas de aula. Ensinar as
matérias de sete ou oito maneiras distintas seria uma tarefa para loucos,
e
não é isso que eu proponho. Mas acho que aplicar em sala de aula ao menos
dois jeitos diferentes de ver um mesmo problema já terá sido um tremendo
avanço em relação ao que se vê hoje no mundo todo: escolas atrasadas
educando as crianças para o século passado. Com base em dezenas de viagens
pelo mundo, afirmo que as escolas estão, no geral, cometendo o mesmo erro:
elas ensinam as crianças a ler, escrever e usar o computador como um fim
em
si, quando essas são apenas ferramentas para aprofundar o conhecimento
sobre temas mais relevantes.
Veja ? Como é possível identificar oito tipos de inteligência se há apenas
medidores para duas ou três delas?
Gardner ? A neurociência já produziu um sólido conjunto de evidências para
comprovar minha tese. Por meio da observação do cérebro em funcionamento,
essas pesquisas revelam que a mente humana abriga, sim, capacidades
intelectuais independentes entre si. É da combinação delas que surgem os
mais diversos perfis de inteligência. Infelizmente, as sociedades modernas
não assimilaram o que a ciência descortinou décadas atrás. Elas seguem com
uma visão antiga ? valorizam apenas os tipos de inteligência que podem ser
medidos em testes de QI, como as habilidades para a matemática e a
lingüística. Em relação às demais capacidades humanas que descrevo em meu
trabalho, elas ainda são desprezadas pela maioria das pessoas.
FONTE: VEJA
Edição 2018
Entrevista: Howard Gardner
O psicólogo americano diz que a maioria das pessoas é inteligente para algumas áreas do conhecimento e que o teste de QI não expressa esse fato Monica Weinberg Divulgação
"Com esforço, a inteligência humana pode ser aprimorada apenas até um certo ponto. A genialidade é para poucos"
O psicólogo americano Howard Gardner deu um passo adiante na compreensão da inteligência humana ao concluir, com base em duas décadas de estudos, que a mente é composta de múltiplas capacidades independentes entre si. Ele descreveu cientificamente oito tipos de inteligência: a ingüística e a lógica (medidas em testes de QI), além da espacial, musical, corporal, naturalista (a habilidade de compreender os fenômenos naturais), intrapessoal (a de reconhecer os próprios defeitos e qualidades -- e tomar decisões com base neles) e interpessoal (a de interpretar as intenções alheias e exercer a liderança). A teoria de Gardner, que na década de 90
passou a influenciar acadêmicos e educadores, teve o mérito de subverter a visão de que a humanidade se divide basicamente entre seres iluminados e aqueles desprovidos de inteligência. Diz o psicólogo: "Há infinitas nuances. Pablo Picasso foi um gênio da pintura, mas era péssimo aluno".
Aos 64 anos, professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e autor de vinte livros sobre o assunto, Gardner tem viajado o mundo para proferir palestras nas quais fala sobre genialidade, liderança e sala de aula.
Ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA.
Veja ? Há pessoas menos inteligentes do que outras?
Gardner ? Cada um tem uma mistura singular dos vários tipos de
inteligência, o que torna a questão bem mais complexa do que dividir a
humanidade entre burros e inteligentes. A observação científica mostra que
o mundo está cheio de gente que se destaca no pensamento lógico, mas não
tem inteligência suficiente para expressar uma idéia com começo, meio e
fim. Ou de pessoas que são brilhantes ao filosofar sobre as grandes
questões do mundo moderno e não têm nenhum traquejo para executar
exercícios físicos de jardim-de-infâ ncia. Conclusão: a maioria das
pessoas
é, ao mesmo tempo, inteligente para algumas áreas do conhecimento e
limitada para outras. Estou me referindo à média. Bem mais raros são os
casos de gente desprovida de qualquer inteligência. Mas eles existem.
Veja ? Até que ponto é possível desenvolver a inteligência?
Gardner ? Essa é uma questão que vem intrigando os especialistas há
séculos. Nas sociedades asiáticas influenciadas pelo confucionismo, vigora
a idéia de que as pessoas diferem pouco no intelecto. Mais importante para
seu sucesso é o esforço despendido por cada um. No Ocidente, por sua vez,
circula a visão de que a inteligência é inata e de que quase nada se pode
fazer para mudá-la. O fato é que a ciência já reuniu evidências
suficientes
para concluir que a inteligência é resultado dos dois fatores: a genética
e
a experiência de cada um. Ainda não se sabe qual deles tem mais peso.
Algumas habilidades, como o raciocínio lógico e o talento para a música,
sofrem maior influência da genética. Mas, no geral, tudo indica que os
genes e o ambiente contribuam em igual proporção na formação da
inteligência humana. Certamente não estão determinadas no berçário todas
as
capacidades intelectuais das pessoas, o que quer dizer, sim, que é
possível
esculpir a inteligência ? ainda que haja limitações para isso.
Veja ? Quais são os limites mais evidentes para o desenvolvimento da
inteligência?
Gardner ? A primeira barreira é imposta pela própria biologia: o tempo de
vida de um indivíduo, em média de 70 anos, é curto para certos desafios
intelectuais. O segundo ponto é que, quanto mais velha uma pessoa, mais
dificuldade ela tem para mudar seu perfil de inteligência. Está
demonstrado
por meio de extensas pesquisas que a fase em que a experiência causa mais
impacto ao cérebro é até os 20, 25 anos de vida. As pessoas podem até
ficar
mais sábias depois disso, mas não mais inteligentes. A única exceção a
essa
lógica é quanto às inteligências pessoais, aquelas que definem as
capacidades de autoconhecimento e de lidar com seus semelhantes. Há
evidências de que apenas estas se aperfeiçoam ao longo da vida. Um
terceiro
problema é que as chances de alguém sair das trevas numa determinada área
de conhecimento também dependem de sua condição socioeconômica.
Veja ? Como a classe social influencia na construção da inteligência?
Gardner ? Está claro que um menino pobre do Brasil tem menos probabilidade
de desenvolver suas múltiplas inteligências do que uma criança rica dos
Estados Unidos. O jogo é desigual por uma razão simples: onde existem
carências de recursos, há falta de estímulos. Feitas essas ponderações,
não
restam dúvidas de que, à custa de esforço, é possível alcançar bons
resultados no aprimoramento da inteligência. Mas, na discussão sobre esse
tema, há ainda outro aspecto que considero bastante interessante: o da
genialidade. Os estudos indicam que é impossível tornar-se genial numa
área
para a qual não se tem talento natural.
Veja ? Por quê?
Gardner ? Está suficientemente demonstrado que são vários os fatores que
atuam ao mesmo tempo para produzir tais talentos excepcionais ? e não
apenas um. Ao estudar trinta grandes gênios de áreas distintas, descobri
uma característica em comum entre eles: são pessoas que exibem um conjunto
de pelo menos dois tipos de inteligência em que sobressaem. Numa delas,
têm
desempenho extraordinário. Albert Einstein (físico alemão, 1879-1955), por
exemplo, mostrava um fantástico raciocínio lógico-matemático e se
destacava
nas capacidades espaciais. Além de um talento especial para a música, Igor
Stravinsky (compositor russo, 1882-1971) demonstrava outras inteligências
artísticas, o que provavelmente explica sua carreira eclética: foi um
grande compositor de balés, era capaz de musicar textos e tornou-se um dos
comentaristas mais incisivos de sua época. Gosto também de citar o
futebol.
Se você nasce sem grande potencial nas áreas do pensamento espacial e do
raciocínio lógico, pode treinar 365 dias por ano, ao longo de uma década,
para, enfim, se tornar um bom jogador de futebol. Mas jamais será um Pelé.
Veja ? Entre os oito tipos de inteligência que o senhor descreve, há um
que
seja mais determinante para o sucesso nas sociedades modernas?
Gardner ? Certamente a inteligência mais valorizada hoje é a que defino
como lógico-matemática. Digo isso com base num fato concreto: a maioria
das
grandes empresas procura, no mundo inteiro, gente capaz de observar
padrões, manipular números e produzir análises objetivas. São pessoas com
uma cabeça mais científica. Não estamos falando aqui apenas de matemáticos
e engenheiros, mas de um jeito de atuar em diversas profissões. O
pensamento lógico representa para a sociedade moderna o que significava a
habilidade lingüística quinhentos anos atrás. Naquele tempo, as
explicações
mais convincentes para os fenômenos se propagavam por meio de relatos ?
contados ou escritos. Saber empregar um idioma com desenvoltura era, por
essa razão, um bem incomparável. Com o advento da ciência, o raciocínio
lógico passou a ser cultuado. Mas é bom que se ressalte: esse tipo de
inteligência, isolada, dificilmente fará alguém alçar vôos mais ambiciosos
? a não ser que o objetivo seja seguir carreira como matemático ou
analista
de sistemas.
Veja ? Existe, então, uma combinação de habilidades mais admirada no
mercado de trabalho?
Gardner ? A união do pensamento lógico à capacidade de lidar com as
pessoas
tem resultado em carreiras de sucesso nas grandes empresas. O que não dá é
para interpretar esse tipo de constatação como uma espécie de fórmula para
o êxito. Em minhas palestras, faço questão de enfatizar dois pontos
aparentemente óbvios. Primeiro, afirmo que mesmo os profissionais mais
brilhantes precisam ter como motor a ambição para crescer. Cheguei a uma
conclusão intrigante sobre muitos deles: apesar do talento fora do comum,
são pessoas que tendem a ficar acomodadas em suas áreas de interesse.
Acabam se tornando superespecialistas, mas, ironicamente, não costumam
deixar nenhuma marca no mundo das idéias. O segundo ponto é que às vezes
os
melhores não dão certo quando chegam ao topo de uma organização, porque a
eles, também, falta alguma espécie de inteligência fundamental para
exercer
o cargo de liderança.
Veja ? Qual a lacuna mais comum entre os vários tipos de chefe?
Gardner ? A muitos deles falta uma capacidade essencial à liderança ? a
inteligência para detectar suas forças e fraquezas. Isso não ocorre com os
líderes mais eficientes, que têm um cérebro moldado para entender o que
considero básico: como qualquer outra pessoa, não sabem tudo, estão
sujeitos a errar e, por essa razão, se cercam de gente melhor do que eles
em áreas nas quais se saem pior. Os líderes menos eficazes, por sua vez,
pecam pelo excesso de orgulho e pela cegueira sobre suas reais
capacidades.
O presidente americano George W. Bush é o melhor exemplo de ausência desse
tipo de inteligência ? a que me refiro como inteligência pessoal ? e por
isso é incapaz de produzir uma auto-avaliação mais realista. Bush também
esbarra numa outra deficiência comum entre pessoas que ocupam função de
liderança: a de não pensar nas grandes questões existenciais, mas ater-se
somente aos problemas mais imediatos do dia-a-dia.
Veja ? Essa é uma limitação e tanto.
Gardner ? Sem dúvida. Sabe-se que, desde o tempo das cavernas, os homens
apresentavam um cérebro capaz de imaginar o infinito e de considerar
questões cosmológicas, muito além da preocupação com a própria
sobrevivência. Vários dos líderes modernos, no entanto, não exibem essa
capacidade. Eles têm dificuldade de pensar num espectro mais amplo. Está
claro que as pessoas mais eficazes em cargos de comando são aquelas que
conseguem despertar nos outros a sensação de que fazem parte de um projeto
maior. É uma característica que separa os líderes que ficarão na história
dos que logo serão descartados da memória coletiva. Dois bons exemplos são
o indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) e Nelson Mandela (ex-presidente
sul-africano) . Adolf Hitler (1889-1945) e Mao Tsé-tung (1893-1976), ambos
ditadores, respectivamente, na Alemanha e na China, alcançaram o mesmo
efeito em suas platéias ? sem ter feito, claro, o uso positivo de suas
capacidades intelectuais.
Veja ? A inteligência tem alguma relação com a moral?
Gardner ? Definitivamente, não. As inteligências são moralmente neutras.
Tome-se como exemplo a comparação entre Joseph Goebbels (1897-1945), o
ministro da Propaganda de Hitler, e o poeta Goethe (1749-1832), ambos
mestres no emprego da língua materna: o alemão. Em poder do mesmo tipo de
inteligência, Goebbels disseminou o ódio e Goethe criou obras de arte. O
estudo que fiz sobre os trinta personagens com atuação acima do comum em
suas respectivas áreas, ao longo da história, ajuda a enfatizar a idéia da
inteligência amoral. Tirando Gandhi, nenhuma das figuras por mim
pesquisadas teve uma vida pessoal digna de ser classificada como exemplar.
Pablo Picasso (pintor espanhol, 1881-1973), T.S. Eliot (poeta inglês,
1888-1965) e até Einstein, para citar alguns, lamentavelmente demonstraram
insensibilidade moral em muitos aspectos da vida. Com base nesses
argumentos, repito o que pode parecer óbvio: o principal desafio da
humanidade não é apenas produzir um exército de pessoas com suas múltiplas
inteligências afiadas ? o maior avanço será vê-las usadas de forma mais
ética.
Veja ? O senhor acha que é viável contemplar as diferentes inteligências
nas escolas?
Gardner ? Concordo com meus adversários no campo acadêmico: é difícil
transpor toda essa teoria à realidade das salas de aula. Ensinar as
matérias de sete ou oito maneiras distintas seria uma tarefa para loucos,
e
não é isso que eu proponho. Mas acho que aplicar em sala de aula ao menos
dois jeitos diferentes de ver um mesmo problema já terá sido um tremendo
avanço em relação ao que se vê hoje no mundo todo: escolas atrasadas
educando as crianças para o século passado. Com base em dezenas de viagens
pelo mundo, afirmo que as escolas estão, no geral, cometendo o mesmo erro:
elas ensinam as crianças a ler, escrever e usar o computador como um fim
em
si, quando essas são apenas ferramentas para aprofundar o conhecimento
sobre temas mais relevantes.
Veja ? Como é possível identificar oito tipos de inteligência se há apenas
medidores para duas ou três delas?
Gardner ? A neurociência já produziu um sólido conjunto de evidências para
comprovar minha tese. Por meio da observação do cérebro em funcionamento,
essas pesquisas revelam que a mente humana abriga, sim, capacidades
intelectuais independentes entre si. É da combinação delas que surgem os
mais diversos perfis de inteligência. Infelizmente, as sociedades modernas
não assimilaram o que a ciência descortinou décadas atrás. Elas seguem com
uma visão antiga ? valorizam apenas os tipos de inteligência que podem ser
medidos em testes de QI, como as habilidades para a matemática e a
lingüística. Em relação às demais capacidades humanas que descrevo em meu
trabalho, elas ainda são desprezadas pela maioria das pessoas.
FONTE: VEJA
Edição 2018
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